sexta-feira, 28 de agosto de 2015

FAIXAS PRETAS SE DESPEDEM DO LENDÁRIO TEMPLO DA ARTE SUAVE CLUB CARLSON GRACIE


Templo fica na memória


Terça-feira, 25 de agosto de 2015.  Nesta data, se encerrou as atividades do templo do jiu-jitsu Clube Carlson Gracie, localizado na Figueiredo Magalhães, em Copacabana, Zona Sul da Cidade Maravilhosa. Ali, centenas de faixas pretas foram formados. Muitos difundem até hoje pelos quatro cantos do mundo os ensinamentos do saudoso mestre, que nos deixou no ano de 2006.

A despedida foi marcada por um grande treino em alto astral no dojo lendário no segundo andar da academia fundada em meados da década de 70. Algumas gerações da equipe se encontraram depois de décadas, e até antigos rivais comapareceram, mostrando a importância do lugar. Entre os discípulos de Carlson estiveram presentes nomes como Amaury Bitetti, Ricardo De La Riva, Ricardo Libório, Paulão Filho, Carlão Barreto, Bebeo Duarte, Bolão, Carslon Gracie Junior e dezenas de outros cascas-grossas.

Filho do homenageado da noite, Carlson Gracie Junior fez um discurso exaltando a história e o trabalho realizado pelo pai. Com o sentimento de dever cumprido, ele convocou os velhos faixas pretas para, no ano que vem, quando se completa 10 anos da partida de Carlson, reunirem o exército e competirem no Campeonato Mundial de Masters representando a Carlson Gracie Team.

Junior, como é conhecido, também pediu um minuto de silêncio em memória do grande mestre. Respeitado o momento, foi a vez de um dos melhores amigos de Carlson, Antônio Santos, vulgo “Apagavela”, se emocionar e bradar: ‘Ele está aqui!”. Morador de Pedra de Guaratiba, na Zona Oeste, ele teve que pegar três conduções  para chegar em Copacabana, como contou o faixa preta Maurício Carneiro, o DJ Saddam, que emendou:

“Naquele momento todos eram uma única pessoa: Carlson Gracie. Na camisa que estava sendo generosamente distribuída aos presentes estava escrito "lendas não morrem". E esta meca do Jiu-Jitsu, que formou o maior exército de faixas pretas da arte suave e seu fundador, jamais morrerão, pois onde existir um lutador de Jiu-Jitsu, sempre haverá uma semente Carlson Gracie.Carlson vive! Viva Carlson!”.

Curiosamente no último treino de ontem não havia clima triste de despedida, mas sim de comemoração, um reencontro entre grandes campeões formados pelo mestre que continuam perpetuando seu DNA e sua história no mundo das artes marciais. O espaço físico pode fechar, mas o legado Carlson Gracie nunca se apagará. 

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Amaury Bitetti – maior vitorioso da equipe de jiu-jitsu:

“Isso é muito emocionante. Meu pai fez parte dessa história, ele era sócio do Carlson, fui criado com o Juninho (Carlson Gracie Jr.) desde moleque. Isso aqui não tem fim. A academia acabou, mas o espírito Carlson Gracie continua.  Os atletas aqui tinham um espírito competidor. O Carlson separava os caras que tinham aptidão para guerra dos que não tinham aptidão para a guerra. Por isso a gente vencia todo mundo. Enfim, o Carlson só formava guerreiros. Essa é a nossa história. Não podia contaminar  os guerreiros, todo mundo tinha medo desse vírus. A gente partia para a guerra.”

Paulão Filho – considerado um dos fenômenos da academia:

“Encontrei pessoas que eu não via há 20 anos, sem exagero. É triste, porque tudo começou aqui. Hoje em dia temos o Libório, que tem um grande projeto nos Estados Unidos, temos outros atletas com projetos na Europa, na China. Tudo começou aqui. Esse é um templo. Torço para que algum órgão, algum empresário, alguma pessoa com dinheiro honre esse lugar que formou tanto campeão. Na minha opinião, foi o maior celeiro de atletas de combate do planeta.  Nunca tive momento ruim aqui. Tirando a separação, que é algo natural da vida, eu só tive momentos maravilhosos aqui. Muitas conquistas, muitas histórias do Carlson, o jeitão dele de ser, de lidar com os alunos, com as competições, a forma dele lidar com o comportamento e o temperamento e cada um. Sou suspeito para falar”.

Ricardo Libório – considerado um dos mais técnicos da equipe; fundador e líder da American Top Team:

“Eu aprendi tanta coisa na minha vida em termos de superação, que eu não vejo isso como final, eu vejo como recomeço para a Carlson Gracie Team se tornar ainda mais forte, para todo mundo se unir ainda mais para manter essa imagem e o legado dele. Não vamos para o passado e tentar mudar o que passou. Vamos olhar para o futuro e ver o que é melhor. As principais equipes do mundo vieram do Carslon Gracie e isso tem que ser lembrado. A imagem só vai morrer se pararem de falar.”.

Carlson Gracie Jr.:

“Esta academia teve vários anos de história. Eu estou nos Estados Unidos e a mamãe não tem mais condições de manter os negócios da academia. A decisão foi a pedido da minha mãe. Estou feliz porque vi muita gente que não via há muito tempo, vários professores que me pegaram no colo. Agora vamos lutar o master juntos, vamos montar nosso exército e competir pela Carlson Gracie nos 10 anos de falecimento do meu pai”.   

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